Total de visualizações de página

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O alívio

Fui pra casa no dia seguinte. A cirurgia do Jú tinha dado certo e ele ficaria internado por um tempo. O Luan não desgrudou de mim. A família dele dormiu no hotel e ele fez questão de dormir comigo. Ele, minha mãe e meu pai vigiavam tudo o que eu fazia. Tudo o que eu comia e os horários dos remédios.

-Poxa! Queria ir à praia.

-Quieta ai muié! Vai ficar em casa bem quietinha com essa perna e comigo. Ele sorriu.

-Ta né? Fazer o que?

-Pega o not e fala com essas meninas, que tão fazendo até campanha pra você entrar no twitter ou fazer um vídeo. O Luan, falou meio com ciúmes das fãs.

-Amor elas te amam! Elas só estam preocupadas comigo. Pega ali a câmera!

O Luan levantou e pegou a câmera do Diário, enquanto eu avisava a elas que iria fazer uma transmissão, naquele momento.

-Oi meus amores! Eu estou bem, não se preocupem! Desculpem pelo susto! Estou aqui em casa quieta e com o meu médico. (Ri e mostrei o Luan) Querem ele emprestado? Nem precisa perguntar né? Mas é emprestado! (Sorri) Amores meus, abrigada pelo carinho e a força que estão me dando. Deixa eu contar um segredo? O Luan está com ciúmes de vocês, cuidando de mim. (Ri) Então “amorecos” meus, eu estou indo. Eu só liguei a câmera pra vocês verem que eu estou com arranhões e com uma perna enfaixada, mas estou bem. Beijos e muito obrigada por ficarem preocupadas. Ah! Beijo pra galera da banda e da produção que me ligaram pra saber como eu estava. Tchau meus amores! 

Desliguei a câmera e eu e o Luan passamos o resto do dia, abraçados e assistindo filme. A todo instante eu ligava pra Mi pra saber do Jú. Ele melhorava a cada segundo e isso me deixava mais aliviada e feliz.

-Filha eu vou sair, vou ao mercado, quer algo? Minha mãe apareceu no quarto.

-Não!

-Então, tá! Cuida dela viu Luan?

-Nem precisa pedir!

A gente riu e minha mãe saiu. O Luan levantou e foi até a sala, não entendi muito bem pra que, mas ele foi.

-O que foi amor? Perguntei quando ele voltou.

-A gente ta sozinho...

Ele deu aquele sorriso safado.

-Luan?!

O Luan deitou em cima de mim e começou a beijar meu pescoço, sentia arrepios em minha pele a cada segundo. Uma das mãos dele estava por dentro da minha blusa, percorreu a minha barriga e ia subindo, isso me fazia sentir prazer. Minhas mãos percorriam as costas dele e eu acabei tirando a blusa dele, na mesma hora que ele tirou a minha. Ficamos ofegantes. Nos queríamos como nunca antes.

Estávamos em um clima que era só nosso. Ele conhecia cada milímetro do meu corpo e isso contribuía para esse momento. Eu, ali, naquele clima, parecia que o mundo não existia.

-Te amo! Ele sussurrava em meu ouvido e eu me arrepiava.

O Luan e eu havíamos passado por um susto enorme, tanto eu quanto ele, queríamos fazer esse susto passar. Sentir cada caricia e cada leve toque da sua boca em meu corpo era de enlouquecer.

Ouvi o barulho da porta.

-Lú, minha mãe! Falei no ouvido dele.

-Sério?

Estávamos ofegantes, ainda. Não queríamos parar, mas tínhamos. O Luan me ajudou a rir ao banheiro, depois que ele se vestiu.

Quando sair do banho o Luan estava no celular com a Carol.

-Carol ela saiu do banho agora! Eu vou passar pra ela.

O Luan levantou e me ajudou a sentar na cama. A minha perna enfaixada não me ajudava em nada.

-Oi amiga! Falei com a Carol.

-Oi! Amiga do céu você me deu um susto, estava falando isso com o Luan agora, quase morri.

-Amiga brigada! Não sabia que eu era tão importante. (Ri) E a Ju?

-Ela me ligou e disse que não estava conseguindo falar com você, ai pediu pra eu te dizer que ela ficou aliviada em saber que você estava bem.

-Eu vou tentar ligar pra ela depois. Amiga eu tenho que desligar aqui eu vou me vestir que o médico pediu pra eu ir lá.

-Ta amiga! Fiquei feliz que você está bem. Fica com Deus, te amo!

-Ah! Amiga, também, te amo.

O Luan me ajudou a vestir minha roupa. Com a perna enfaixada eu não conseguia nem me abaixar. O Luan ficava brincando comigo e sempre arranjava um jeito de beijar alguma parte do meu corpo enquanto me ajudava. Quando terminamos, ele me puxou e me beijou entre sorrisos. Eu abri meus olhos e vi minha mãe na porta.

-Mãe? Ta ai há quanto tempo? Arregalei meus olhos, assustada.

O Luan se afastou de mim e ficou meio corado de vergonha.

-To há muito tempo não! Ela sorriu meio sem graça.

-Mor vou tomar banho. O Luan avisou. Ele saiu deixando, eu e minha mãe, sozinhas.

-Filha eu não queria atrapalhar, mas eu também sei que você não é mais nenhuma criança então toma cuidado...

-Mãe tudo bem! Olha; eu tomo cuidado, sim, na verdade eu e ele, tomamos.

-É que quando eu vi aquela notícia...

-Mãe não começa de novo. A gente já discutiu o suficiente!

-Ta então! Eu vou me arrumar para acompanhar vocês.

Minha mãe tinha pedido folga na empresa e iria me acompanhar nos shows do Luan, na segunda. Meu pai tinha ido pro Espírito Santo, a empresa mandou á trabalho.

Assim que minha mãe saiu, eu respirei fundo e o Luan, depois de um tempo, saiu do banheiro já arrumado.

-O que ela disse? Ele perguntou.

-Nada demais!

-Sério? Ela viu alguma coisa?

-Ela viu tudo! Mas só deu aquele velho discurso “se cuida”.

-Ah! O Luan fez uma cara que misturava vergonha e alívio.

Pesadelo ou realidade?

-O que você vai fazer esses dias sem mim? O Luan me perguntou.

Estávamos no bicuço. Teríamos três dias de folga antes de voltar à rotina então decidimos ir, cada um, pra sua casa. O Luan iria pra Campo Grande, já que a família dele já estava à espera dele lá e eu pra Salvador.

-Eu acho que vou pra praia! Tem um tempo que não vou á praia. Eu sorri.

-Vai exibir esse corpinho na praia é? Não demora muito não! O Luan brincou.

-E você?

-Churrasco os três dias! Ele abriu um sorriso enorme. Aquele sorriso me fascinava de um jeito incrível.

Depois de um tempo eu e o Luan dormimos, daquele mesmo jeito, de mãos dadas, um ao lado do outro e em poltronas diferentes. Eles iriam me deixar em Salvador primeiro, já que estávamos no Nordeste, ainda.

No aeroporto de Salvador estavam me esperando o Jú a Mi e meus pais. Descemos, eu e o Luan, nos despedimos com um aperto enorme no peito e o Luan cumprimentou todo mundo. Esperamos o bicuço decolar.

-O que você quer fazer? A Mi me perguntou, já no carro.

-Eu quero ir á praia! Sorri.

-Mas antes você vai ao bendito do show que vai ter amanhã! A Milena me fez ir comprar esses ingressos ontem umas nove da noite. Estava em casa quieto ai a Milena me ligar; “Amor vai comprar os ingressos por que a B ta vindo e ela gosta das bandas.” O Jú falou isso comum pouco de raiva na voz, mas só foi a Mi olhar pra ele com um olhar tipo “desculpas” que ele abriu um sorriso.

Eu achava os dois à coisa mais fofa. O Jú meio sério e a Mi toda brincalhona e desajeitada. Um completava o outro. Eu não sabia se iria aguentar tanto tempo sem o Luan, vendo eles dois.

-Ta! Eu vou sim! Que bandas são?

-Banda Eva, Seu Maxixe e Tomate. A Mi respondeu.

-Nossa! Perfeição esse show! Comentei.

Fomos pra casa comentando como seria esse show, mas ao mesmo tempo meus pensamentos estavam em Campo Grande.

-Oi mor! Cheguei!

O Luan me ligou assim que ele entrou no carro já pra ir pra casa da avó. Eu já tinha chegado em casa, tinha um tempo, e já tinha arrumado minha mala.

-Oi meu amor! Que bom bebê!

-Ta fazendo o que?

-Eu to comendo! Amor tenho que te falar uma coisa.

-Que foi?

-Vou pra um show amanhã. A Mi e o Jú compraram pra mim, são as bandas que eu mais gosto!

-Amor...

-Ah! Bebê fica chateado não!

-Ta! Mas eu fico preocupado com sua segurança. B você sabe que todo mundo te conheci, amor você é famosa agora esqueceu?

-Não fica preocupado, não. A gente vai ficar no camarote e outra; eu quero muito ir!

-Ta! Amor mais fica ligando pra mim?

-Pode deixar! Ta fazendo o que?

-Bebendo terere com a Camila, Bruna e a Jeny.

-Manda beijos.

-Ta, mando. A Bruna quer falar com você.

-Cunha e essa praia?

-Vou domingo, borá? A gente riu.

-Amor te amo viu? O Luan estava se despedindo de mim depois que falei com as meninas no celular.

-Também te amo vida!

-Amanhã me liga?

-Ligo sim!

No dia seguinte, passei a manhã recebendo visitas e pela tarde customizei a camisa do show com a Mi e o Luan no celular, pelo viva-voz. 

-Amor, ontem, pedi pro Anderson ver como vai ser a segurança do local. E já tem fotografo e programas de TV que sabem que você vai. Não saia do camarote!

-Luan pára de preocupação! Eu já fui a muitos shows. Eu não vou sair não!

-Vão ter seguranças de olho em você! Como não me preocupar?

-Luan é só um show! Eu vou curto depois volto pra casa... Seguranças?

-É! Vão está por perto se acontecer algo.

-Por perto né? Não muito perto!

-Não amor! Por perto.

-Ta, então.

-Acabei amiga! E ai? A Mi tinha voltado do banheiro já vestida pro show.

-Nossa! Se eu fosse homem eu “garrava”! A gente riu.

-Amor espera que eu vou me trocar aqui! Falei como Luan.

-É... Luan se eu fosse você eu pegaria o bicuço e viria acompanhar sua namorada porque ela ta gata! A Mi brincou.

-Sério? Amor tira foto e manda pra mim? Ele pediu.

-Ta! Peguei o celular e tirei uma foto, pelo espelho, e mandei pra ele.

Eu estava de short jeans, com um tênis de lona e com uma blusa branca por baixo da blusa do show e com uma maquiagem leve, já que eu iria suar pulando no show.

-Ta gata mesmo! To indo pra Salvador! A gente riu.

Fomos para o show com o carro do Jú e eu não esperava que meus primos fossem. Encontrei com duas primas minhas e com dois primos meus, no camarote, um deles não via muito já que trabalhava em uma cidade, próxima a Salvador.

-Amor to no camarote com a Mi, o Jú e com duas primas e dois primos meus. Depois te ligo porque ta muito barulho! Avisei rápido para o Luan.

No camarote havia fotógrafos que, por sinal, ficaram me observando e tirando fotos o tempo todo. Resolvi esquecê-los e me divertir no show. Todos estavam curtindo os shows, que foram maravilhosos. Brincamos, pulamos, dançamos, cantamos tudo estava indo bem. No intervalo de um desses shows eu liguei para Luan.

-Oi amor! Ta tudo bem? Ele me perguntou

-To sim, amor! Se preocupe não!

-E os seguranças?

-Tão aqui me olhando! Ta parecendo até que estão hipnotizados. A gente riu.

-Mais era pra ficarem assim mesmo!

-Amor eu vou desligar ta? Além de você tenho que ligar pra minha mãe.

-Ta, bom amor! Amo você!

Depois do Luan liguei para minha mãe. Minha mãe estava muito preocupada parecia que ela estava pressentido algo.

-Mãe quer parar de maluquice? Eu to bem! E outra; o show vai começar aqui tenho que ir.

O resto dos shows foi bem tranquilo. Fora a parte de que quando eu ficava dançando com o meu primo os fleches aumentavam. Eu já estava até colocando na minha cabeça que eu tinha que avisar ao Luan que eu estava dançando com meu primo antes que dissessem ou ele pensasse algo.

O show terminou. Despedimos-nos dos meus primos e fomos embora. Estávamos no carro do Jú. Eu e a Mi dormimos de tão cansadas. Eu estava tão feliz. Era a primeira vez que eu me sentia, depois de um tempo, uma pessoa normal e não a namorada do Luan Santana. Senti-me uma adolescente que foi ao show da sua banda preferida, pela primeira vez.

Eu estava tão cansada que cheguei a sonhar, na verdade ter um pesadelo. No pesadelo eu estava em um carro com o Luan e estávamos rindo, quando de repente um carro desgovernado, vindo da direção contrária, batia em nosso carro. A batida foi tão intensa, no sonho, e quase real ,que cheguei a me assustar.

Tentei me mexer, mas algo me prendia algo me segurava. Tentei abrir os olhos e senti dores insuportáveis em cada milímetro da minha pele, do meu corpo. Abri os olhos e eu estava deitada com aparelhos em mim, e com um homem ao meu lado e não era ninguém que eu conhecesse.

Fiquei desesperada, não sabia onde eu estava e nem pra onde me levavam. Tentei me mexer mais foi em vão.

-Você tem que parar de se mexer, mocinha! Está tudo bem agora!

Aquele homem falando comigo e eu me perguntando onde estavam a Mi e o Jú e pensando no Luan, chorei. Eu sentia uma dor imensa em minhas pernas, na coluna e em minha cabeça. Só fazia chorar. Eu queria sair daquele lugar.

Tiraram-me daquela ambulância e eu vi fleches e mais fleches. Fechei os olhos e pensei na Mi e no Jú. O que tinha realmente acontecido?
Quando entrei no hospital estavam minha mãe e meu pai desesperados e chorando muito.

-Filha, minha filha eu te amo muito! Ta tudo bem agora! Minha mãe não sabia se me tranquilizava ou se tranquilizava ela, com essas palavras.

-Ela está bem! Acho que quebrou a perna, nada demais! É um milagre, porque o carro que veio na outra direção estava correndo muito.

Eu escutei o médico falando aquilo e me lembrei do sonho e pensei; “Então não foi um simples pesadelo, foi real! Eu tinha sofrido um acidente de carro, mas quem estava comigo foi o Jú e a Mi.”

Fui a uma sala fazer uma série de exames, tiraram aquela máscara de mim e tentei falar, mas não saía nada. Fizeram um exame atrás do outro e no final constataram que eu só tinha quebrado a perna. Depois de enfaixarem minha perna me deram uns remédios pra dor, por soro, e me levaram para um quarto.

-Mãe! Minha mãe entrou no quarto e ela veio me abraçar, nós choramos muito.

-Filha você está bem?

-To! Agora to! Onde está o meu pai?

-Está lá fora resolvendo umas coisas com o médico e falando com a Dagmar.

-A Dada ta ai?

-Não, pelo celular! O Luan está desesperado!

Quando ela falou “Luan” meu corpo queimou, querendo ele.

-E a Mi e o Jú?

Minha mãe me olhou com uma cara triste.

-Mãe o que aconteceu?

-Filha a Milena daqui a pouco vem te ver. O Jú está indo pra uma cirurgia agora!

-É muito grave?

-É uma cirurgia de risco, mas os médicos disseram que esta tudo, certo.

Eu não acreditei sabia que tinha mais.

A Mi entrou no quarto depois de um tempo. Ela estava sem nenhum arranhão, eu estava cheia de hematomas e dores. A gente se abraçou e choramos muito.

-Amiga o Jú! A coluna dele foi atingida.

Eu não sabia o que dizer, só sabia chorar, muito. Os pais do Jú e da Mi vieram ver como eu estava, depois de um tempo. Mais e ele? Onde o Luan estava?

-Filha o Luan! Meu pai me entregou o meu celular, que não foi destruído.

-Amor!

Quando ele falou, arrepios percorreram minha pele. Só de pensar que eu estava ouvindo ele e que mais cedo ou mais tarde o abraçaria, aliviava minhas dores.

-Oi meu amor! Meu bebê vem me ver, por favor! Eu falei segurando o meu choro.

-Minha vida eu to indo já! Eu vou te ver, claro! Quero te ter nos meus braços e ter a certeza que tudo não passou de um susto!

-Então vem logo!

-To entrando no bicuço agora meu amor! Minha mãe meu pai e a Bru estam indo comigo.

-Ta! Eu te amo muito!

-Fala isso de novo? Ele pediu.

-Eu te amo!

-Eu te amo mais ainda! Tenho que desligar amor me espera!

-Sempre!

Eu estava dormindo. Sentir o seu toque, o seu calor, o seu cheiro, os lábios tocando os meus em um beijo leve e suave.

-Mor? Chamei-o e abri meus olhos.

Ele vindo em minha direção e me abraçando, tão delicadamente e me dizendo “eu te amo” no meu ouvido, foram coisas que se fizeram de tranquilizantes e de remédios contra dor.

-Como você me dá um susto desses?

-Mor da bronca não! Fiz um bico.

-Não é bronca meu bebê! Eu só não quero passar por isso de novo. Você agora não sai do meu lado de jeito nenhum, ta me ouvindo?

-To amor! Sorri.

-Mi não ta bem! Ela ta ai fora esperando o Jú sair da cirurgia.

-É eu sei! Falei meio triste.

-Mor minha mãe e meu pai tão ai fora querendo te ver.

-Manda eles entrem. E a Bru?

-Ela estava aqui antes de eu entrar. Ela saiu chorando!

-Manda ela entrar também!

Os pais do Luan estavam muito preocupados e a Bru também. Eu a abracei e a tranquilizei.

-Se a gente terminar, você vai apanhar de todo mundo! Eu brinquei depois que os pais dele e a Bru saíram.

-Terminar? Essa palavra não existe no meu dicionário! Ele sorriu.

-Como te disseram?...Nossa! As fãs!

-Amor, calma! Já entrei no twitter e a Dada já publicou uma nota no site, elas estão sabendo de tudo e já receberam a notícia que você só quebrou a perna. Eu soube com uma ligação da sua mãe. Ela me visou e eu entrei em pânico!

-Por quê?

-Por quê? Você ainda me pergunta o porquê do pânico?

-É! Eu sorri.

-Por que se eu te perdesse eu não veria mais esse sorriso lindo, ninguém iria me dar colo, ninguém iria ter seus beijos, seu carinho, seu cheiro, seu calor. Ninguém iria me chamar de Rafa, de amor, de mor, de bebê ou de Lú do seu jeitinho. Ninguém iria te substituir e a dor seria muito grande. Eu perderia a minha inspiração! Eu perderia a minha vidinha, linda pra eu olhar quando ta dormindo e pra eu cuidar quando tivesse machucada ou doente. Ele abriu um sorriso e piscou.

Eu fiquei observando ele, não conseguir achar palavras pra responder ele. Só quis que ele me desse um abraço e um beijo.

Uma vidrada

Em Fortaleza uma coisa me chamou atenção e foi no camarim. Uma fã vinda de Teixeira de Freitas, na Bahia, conseguiu entrar pela segunda vez no camarim, mas ela tinha um jeito diferente de ficar nervosa, ela fazia muitos comentários hilários, eu ri muito com ela.

-Qual o seu fã clube? Perguntei pra ela.

-Virada no Luan!

-Ju você é muito engraçada! Eu disse pra ela.

Enquanto ela esperava a vez dela no camarim, eu e ela ficamos conversando. Ela era muito engraçada e uma pessoa maravilhosa. Na verdade a Carol também tinha ido comigo pra esse show e quando juntou eu, a Carol e a Ju, não deu outra a não ser muitas risadas.

A Ju foi a ultima no camarim então resolvi chamá-la pra assistir o show comigo e com a Carol em cima do palco. Ela ficou radiante e muito feliz. Ela tinha conseguido viajar pra casa de uma tia dela em Fortaleza pra ver o Luan.

Passamos o show inteiro cantando e pulando junto com o Luan, na verdade elas aproveitavam mais que eu, já que eu estava acostumada com isso, mesmo assim eu cantava e pulava junto com o Luan.

-B você não cansa de ver todos os dias show do Luan não? A Ju me perguntou sorrindo.

-Todo show é diferente! Tem pessoas e lugares diferentes, então não tem como cansar. Expliquei a ela.

Depois do show e de trocarmos telefone as duas foram levadas por um carro da produção. A Carol pro aeroporto e a Ju até a casa da tia dela. Eu e o Luan voltamos para o hotel e o Luan não queria descansar, tão cedo. 

Grávida?

Não demora muito e o Luan ingressa em outra turnê no Nordeste dessa vez passaríamos por duas cidades do Piauí, duas do Maranhão e uma no Ceará.

-To com sono! Comentei.

Estávamos no bicuço embarcando para uma cidade do Piauí. Tomávamos café na asa do bicuço, eu estava sentada, na asa, o Luan tinha me colocado.

-Tão bonitinha! Pequena e na asa do bicuço, nem com muito esforço você toca com o pé no chão mor!

-Brigada pela colocação. Dei língua pra ele.

-Nada! Ele riu.

-Ta, bom Bia? Um dos seguranças do Luan me perguntou.

-Ta! Eu estava desejando isso!

-Pão com ovo? Amor só você! O Luan riu.

-Sério! Eu fazia isso em casa. Vai me dizer que nunca fez?

-Já! Mais ter desejo de pão com ovo, não.

-Será que ta grávida? O Anderson brincou.

O Luan me encarou assustado.

-Só se for do Espírito Santo meu filho! Eu só não to mais protegida por que sou uma só! E o que você quer olhando pra mim assustado? Perguntei ao Luan enquanto o Anderson dava risada.

-Nada, me assustei!

-E se eu tiver?

-Saí dessa, agora, Luan! O Max brincou.

-Nem brinca!

-E se eu tiver? Te perguntei!

O Luan chegou perto de mim beijou minha barriga, por cima da blusa, e alisou.

-Oi Breno!

Todo mundo riu.

-E depois pede pra eu não brincar! Eu posso com isso? Eu sorri.

-Vai ser Breno mesmo?

-Não! Vai ser Rafael e eu já te disse! Eu tenho esse sonho desde pequena.

-Pequena você sempre foi! O Max acrescentou e riu.

-Brigada pela sua observação inútil! Olhei de cara feia pro Max.

-Por causa de mim! O Luan comentou.

-Nem se acha ele?! Eu sorri.

Eu e Luan ficamos brincando com isso, um pouco, logo depois entramos no avião e seguimos viagem.

-Olha; a brincadeira de vocês no que deu! O Max entrou no quarto, meu e do Luan.

-O que foi? Perguntei.

O Luan tinha pegado o notebook da mão do Max e estavam abertas várias páginas de notícias com foto do Luan beijando minha barriga.

-Olha a sua brincadeira, no que deu, aí! Dei um tapa no braço do Luan.

-Ai! Doeu!

-É pra doer mesmo! E agora?

-Eu que pergunto pra vocês e agora? A mãe do Luan entrou no quarto, junto com a Dagmar.

Eu, o Luan e o Max, congelamos.

-Mãe?! O Luan falou surpreso.

-O que eu faço com vocês agora?

-Sogrinha eu não to grávida, não, só, foi uma...

-Eu sei! Ela abriu um sorriso.

-Que susto mãe! O Luan respirou fundo e eu também.

-Luan a sua brincadeira ta me custando muitas horas no telefone esclarecendo as coisas. Reclamou a Dagmar.

-Eu vou ligar a câmera do Diário e ai eu digo o que foi. Eu falei.

-E eu no twitter! O Luan falou.

-Não sabia que iria cair, na rede, isso, não. O Max falou.

Eu liguei a câmera e o Luan estava no twitter. Eu e ele explicamos tudo o que, realmente, aconteceu e que o que estavam dizendo era mentira.

Depois de um tempo corrigiram as matérias e depois de muito discutir com minha mãe de que eu não estava grávida os telefonemas pararam um pouco. Muitos jornalistas disseram que iriam me observar ao longo dos meses.

-Eu poço com isso? Eu não vou poder nem engordar, por que se virem uma barriga em mim vão dizer que eu estou grávida! Reclamei me sentando ao lado da sogrinha no sofá do quarto.

Ela sorriu e me deu um abraço.

-Tudo bem! O quanto você comi e não engorda, não vai ser agora que você vai engordar! A gente riu.

Os shows foram ótimos e com recordes de público, em todos eles.

Here Without You

-Mor? Ele me ligou.

-Oi meu amor! Tava pensando em você!

-Eu também! Ta no twitter né? Só dá o Diário de Bordo em minha home. Ele riu

-É! To sim! Elas tão me mandando cada mensagem linda.

-To vendo!

-Ta fazendo o que? Eu perguntei a ele.

-Além de pensar em você e sentir saudades? Nada!

-Que lindo meu amor!

-E você? Além do twitter ta fazendo o que?

-Falando com o amor da minha vida!

-Bia vem cá! Minha mãe gritou.

-Amor, vou aqui, minha mãe ta me chamando. Te amo viu?

-Também amo! Manda beijo pra sogrinha!

-Ta, mando sim! Depois ligo.

-Ta! Beijo na boca! Ele brincou.

-Outro bem gostoso!

Depois de me despedir das meninas, no twitter, fui ver o que minha mãe queria. Ela estava arrumando o guarda-roupa dela e “era cada coisa que saia de lá!” Coisas muito velhas.

-Olha isso!

Ela me mostrou a carta que o Luan tinha me escrito quando era pequeno, nela dizia: “te amo Bebê!”.

-Não é linda? Ela me perguntou, brincando.

-É sim! Eu sorri.

Depois de ter falado com o Luan até ele dormir, eu fiquei na minha cama olhando pro teto e pensando; será que o que eu e o Luan estamos vivendo, vai voltar a ser amizade? Será que vai até onde estamos pensando? Será que...?

-Pára de pensar isso Beatriz! Falei comigo mesma. Virei-me e fui dormir.

-BOM DIA! DORMINHOCA! Minha mãe e meu pai me acordaram antes de irem trabalhar.

Meu aniversário caiu no meio da semana.

Sentei na cama, assustada, e peguei a bandeja de café da manhã das mãos do meu pai, depois de muitos beijos e abraços.

-Olha; a Mi e o Jú disseram que iriam te levar naquele restaurante que você gosta, pra almoçarem. Não esquece! Minha mãe me avisou, antes de saírem.

Tomei café entre ligações de amigos e da família. Levantei fui tomar banho e me vestir. Entrei no twitter e agradeci a todos o carinho e as mensagens que havia recebido. Os fãs do Luan e do Diário tinham feito vídeos e declarações muito lindas.

“Amores brigada pelo carinho e as palavras que vocês me dão e me dizem. Eu não sei como agradecer, sério! Amo muito vocês e muito obrigada por terem me aceitado nessa Família Linda! Agora eu vou sair e prometo que amanhã eu entro e fico na seguilancia, ok? Beijos”

Saí do computador e foi ai que havia percebido que estava com meu celular desde quando eu acordei, mas esperando uma única ligação, a dele, a do Luan.
Chegou à hora do almoço e fomos à churrascaria que eu mais gostava. Estávamos nos divertimos. O Jú e a Mi chamaram uma galera que não tinha mais visto, devido à correria.

-B larga esse celular! Reclamou a Mi.

-Mas ele vai me...

-Amiga ele vai te ligar, sim, calma!

Curti o almoço, mas me senti incomodada com fleches que disparavam em minha direção o tempo todo. Eram clientes e fotógrafos de revistas e jornais que haviam descoberto onde eu iria comemorar meu aniversário.

-Bia e o Luan? Uma repórter me perguntou quando estava saindo do restaurante e quase entrando no carro do Jú.

-Ele está trabalhando! Eu sorri. Estava, quase, com a mão na porta, do carro.

-Não vão passar essa data juntos?

-Nós comemoramos, já! Pisquei pra ela e entrei no carro. Minhas respostas foram meio frias. 

-Nossa! Amiga to me sentindo, agora! Cheio de repórter e fotógrafos a nossa volta. A Mi comentou.

Eu estava olhando o celular e nem escutei o que ela falava. Fixava o olhar no celular parecia que com isso ele iria tocar. Sem ele, o Luan, eu me sentia fraca e desprotegida, diante de repórteres e fotógrafos, aprecia que faltava força.

Quando estávamos chegando a minha casa...

-B tem um carro ali, será que é do Luan? O Jú comentou.

Eu que estava ainda esperando o celular tocar, meio que despertei.

-É o Anderson! Abri um sorriso.

Saí do carro do Jú e fui correndo em direção ao Anderson.

-Onde tá o Luan? Perguntei ao Anderson olhando pra dentro do carro.

-Calma! Ele ta no Piauí. Pediu-me pra te entregar isso!

Ele me deu um bilhete.

-E você só veio aqui pra isso?

-Não! Estava acertando umas coisas aqui.

-Show?

-É... Mais ou menos. Tenho que ir!

-Anderson me leva?

-B o Luan disse que não! Ler o bilhete!

E nisso ele entrou no carro e foi embora.

-Como assim ele disse que “não”? Pensei alto.

-Amiga o que ele queria?

-Me entregar isso! Dei o bilhete nas mãos da Mi com muita raiva e fui entrando no prédio.

-Amiga que lindo! Ela comentou já no hall do elevador.

-O que? O Luan dizer que não me quer com ele lá? Falei com raiva.

-Não, o bilhete! Ela falou.

-Não quero saber! Comecei a me balançar de raiva.

-Nem se ele dissesse que ele só vai te ligar sete e cinquenta da noite por que foi a hora que você nasceu e que o bicuço vai está no aeroporto nove, da noite, te esperando?

-Sério?

-É o que ele diz aqui! Ela me deu o bilhete.

-Meu namorado é lindo né?

A Mi e eu rimos. Chegamos a minha casa e fizemos uma seção pipoca, coisa que não fazíamos há meses. O Jú nos deixou em minha casa por que ele tinha que ir pra faculdade.

Chegou à noite. E eu esperando dá sete horas. Estava esperando meus pais chegarem e me arrumando pra tentar me acalmar. Meus pais chegaram com uma torta de chocolate maravilhosa e com um presente; um Ipad, lindo.

-Ah! Mentira! Sério? Pra mim? Falei empolgada com o presente nas mãos.

-Sério! Filha você agora é tecnológica então pensamos e compramos esse. Meu pai explicou.

-Brigada, amei!

Comecei a mexer no meu mais novo “aparelho tecnológico”, como meu pai o intitulou. Adorei descobrir as funções dele, afinal diminuiu a minha ansiedade pela ligação. Estava tão distraída com o meu presente que esqueci as horas. Meu celular tocou e eu saí correndo pra varanda atender.

-Parabéns meu amor! Era ele. Era a voz que eu mais queria ouvir naquele dia, a do Luan.

-Eu te mato Luan Rafael!

-Êita muié! Eu fiz o que?

-Me deixou sem você o dia todo!

-Amor só queria te ligar agora! Você não nasceu às sete e cinqüenta?

-Nasci!

-Então?! Parabéns!

Eu ri.

-Eu quero você aqui bem pertinho de mim! O bicuço daqui a pouco ta ai.

-Eu sei!

-Então... Ai eu vou te dá um abraço, um beijo e você vai ser minha de novo.

-Ta, bom!

-O que foi?

-Nada! To pensando.

-Pensando em que?

-Como vou te bater!

A gente riu.

-Amor atrasa não. Está tudo certinho! Planejei tudo!

-Ta, meu amor, to indo pro aeroporto já.

-Ok! Te amo muito!

-Também te amo!

Meu pai me levou ao aeroporto. Esperamos o bicuço durante quinze minutos. Entrei e estava vazio, estranhei, já que eu sempre o via cheio de gente. Na minha poltrona estavam umas três caixas de presente; uma era do Max, outra da Dada e do Anderson e a outra do Luan. O Max me deu um ursinho que eu disse que lembrava um pouco a cara dele, quando passamos em uma loja de Londrina. A Dada e o Anderson me deram um cartão de memória de 120GB, por que eu sempre reclamava da memória do meu computador. O Luan me deu o Bube reformado e com o cheiro dele.

Cheguei ao Piauí e um carro estava a minha espera.

-Oi Wellington! Vai me levar ao show?

-Oi B! Vou sim.

No caminho eu fiquei observando a cidade pela janela. Quando sair do carro, já no local do show, e vi pessoas passando pra lá e pra cá...

-Estou de volta a minha bela rotina! Eu e o Wellington rimos.

Fomos para o camarim, mas o Luan já havia entrado no palco, então resolvi assistir ao show em cima do palco. Entre muitos abraços e desejos de felicidades, do pessoal da produção, eu assistia a pessoa que eu mais amava fazer o que amava. Assistia ele cantar e saber que ele estava feliz era meu maior presente.

-Coisas lindas eu vou contar um segredo pra vocês, posso? A muié da minha vida, hoje, completa dezenove anos. E sabem onde ela está? Bem ali me observando. (O Luan apontou pra mim). Vem cá amor!

Eu fiquei surpresa ele parou o show pra que? O Luan iria aprontar alguma. Quando entrei no palco fui recebida por um coral de “Parabéns pra você” de mais de cinquenta mil pessoas. Eu não contive as lágrimas e o Luan segurou a minha mão.

-Ela não é linda? Ele sorriu.

-Brigada amores! (Agradeci) Boa noite!

-Então amor, elas já sabem o que eu vou fazer aqui. Elas amaram! (O Luan se ajoelhou em minha frente) Marreta tá fazendo o que ainda ai?

O Marreta se levantou e sentou em um outro instrumento, que parecia um banquinho.

-O que você vai fazer? Eu perguntei olhando para o Luan.

Ele simplesmente abriu um sorriso e começou a cantar Here Without You pra mim. Eu fiquei parada olhando pra ele. Ele que estava de joelhos se levantou me puxou e me abraçou. Ele ali cantando uma música que eu amava e abraçado comigo era muito bom. Um presente inesquecível, era a prova que faltava pra que eu, realmente, tivesse certeza que eu tinha tomado a decisão certa.

Quando ele terminou nos olhamos e ele me deu um beijo.

-Parabéns amor! Eu, a banda, inteira, e a família Luan Santana queremos que você seja muito feliz e que continue nos enchendo de alegria a cada dia, em cada sorriso que dá.

Eu não tinha palavras, estava chorando e muito emocionada. O Luan me abraçou, novamente, e eu olhei pra as fãs que estavam na frente do palco, elas estavam chorando.

-Amores eu não estava esperando nada disso aqui, mas saibam que eu quero que vocês se sintam abraçadas pelo Luan! Quem não conseguiu hoje, pode ter certeza que virão outras vezes e não desistam do sonho de vocês. Eu queria agradecer o carinho de vocês, também, e obrigada por cederem um pouco do Luan pra mim hoje. To indo, já! Não quero atrapalhar mais. Agradeci ao público e fui saindo.

-Por isso que eu amo ela! E pode tirar o olho que é minha viu? O Luan brincou e seguiu com o show.

Eu voltei para o meu lugar enxuguei as lágrimas olhei pra o anel de coco e a aliança de compromisso e tive a certeza que aquilo era o que eu queria. Era com aquele cantor que era muito jovem, mas que conseguiu mudar a cara da música sertaneja, que recebia elogios de todos e que conseguiu está onde estava com muita luta, que eu queria ficar o resto da minha vida.

Quando chegamos ao hotel ficamos trocando carinhos e muitas declarações e o sono nos pegou.