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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tão distante...

Fazia um dia lindo, ensolarado. O céu estava azul e não havia nenhuma nuvem. Eu vi o Luan distante. Eu o chamava mais ele corria de mim, brincava comigo.

Estávamos em uma praia, parecia ser uma ilha deserta, estávamos sós naquele lugar. O Luan estava ficando cada vez mais longe, eu não conseguia alcançá-lo.

-Luan pára! Eu gritei para ele ouvir, por que entre eu e ele havia um espaço enorme.

O Luan parecia não ter escutado, continuou correndo. Ele só gritava:

-Vem amor!

Eu não conseguia alcançá-lo de jeito algum. Eu corria mais depressa e não conseguia. O dia estava lindo, mais sombrio ao mesmo tempo, algo naquele lugar era desconfortante pra mim. Aquele lugar me deixava com medo.

O Luan estava ficando cada vez mais longe, de mim, e eu sentia, cada vez mais, medo. Ele não estava me vendo, por que se estivesse veria o medo estampado em meu rosto e pararia de correr. O cansaço tentava me domar, mais eu não deixava. Se eu parasse de correr eu iria ficar sozinha naquele lugar. A noite chegava.

O Luan derrepente parou. Eu caminhava em sua direção e sentia um alívio imenso. Eu estava caminhando na direção dele e o medo ia passando. Quando estávamos a centímetros, era o que me parecia, eu vi que o que nos separava eram quilômetros. Eu comecei a chorar e mesmo assim caminhava ao seu encontro. A noite caiu sobre mim.

Ele continuava parado não fazia nenhum esforço para se mover. Quando eu pensei que iria tocá-lo ele sumiu. Eu não esperava. Ele me deixou naquele lugar sozinha. O Luan nunca iria fazer isso. Eu estava com frio e com muito medo. Olhei de um lodo para o outro e ele, aquele que sempre me dizia me amar, aquele que me fortalecia, apenas, com sua presença havia me deixado. A noite pesada sobre mim.

Eu estava naquele lugar escuro e frio. A praia era linda. Mais aquele lugar conseguia ser, também, sombrio. O Luan havia me deixado me abandonado, eu não queria acreditar. Eu apenas sentei naquela areia macia e chorei. Molhei a areia com minhas lágrimas. Apesar de tudo eu não conseguia culpá-lo.

Eu me culpava de tudo aquilo estar acontecendo. Eu não conseguir acompanhar os passos dele. Eu o fiz esperar demais. A única coisa que eu conseguia fazer era gritar. O meu grito foi alto e fino, como se alguém fosse me escutar. Eu tinha esperanças que ele aparecesse.

Eu ouvi sua voz macia e suave, que estava mistura com medo naquele momento, me chamar. Eu não pensei duas vezes e abri meus olhos. Tudo o que eu conseguia ver era ele em minha frente. Eu o abracei.

Eu estava suando frio, tremia, estava muito nervosa. A minha respiração estava falha. E sentir ele me abraçar era muito bom. Ele tentou desfazer o abraço, mas eu não deixei.

-Não me solta! Eu pedia a ele.

-Amor ta tudo bem agora, calma! Eu estou aqui bebê! Ele tentava me acalmar.

Ficamos por um bom tempo, assim, abraçados e ele tentando me acalmar. Até que se desfez aquele abraço e ele pegou em minhas mãos.

-Amor foi um pesadelo. Está tudo bem, agora! Ele acariciava meu rosto com seus dedos macios.

Eu balancei a cabeça com um sinal de positivo e lágrimas escorriam em meu rosto. Elas caíam involuntariamente.

-Foi horrível! Eu chorava.

-Tudo bem! Ele me abraçou.

-Não quero dormir de novo! Eu pedia a ele.

Ele me colocou em seu colo e me fazia carinho.

-Quer que eu cante pra você? Ele perguntou.

-O que foi isso? Os pais dele entraram no quarto.

-A B teve um pesadelo. O Luan respondeu e eu confirmei com a cabeça.

-Está tudo bem, agora? O pai dele perguntou.

-Está! Eu o respondi. Estava mais calma, mas apertava a mão do Luan com muita força.

Eles saíram do quarto deixando eu e o Luan sozinhos, novamente. Ele pegou o violão e começou a cantar Pra você Lembrar de Mim. A voz dele me acalmava e ele parecia brincar com isso. Ele cantou por um tempo pra mim e logo depois me colocou em seu colo e me fez carinho. Eu lutei contra o sono, não queria ter aquele pesadelo novamente, mas não resistir e acabei adormecendo.

Durante a noite acordei várias vezes para ter a certeza que ele estava ao meu lado. Por várias vezes o Luan se mexeu e eu acordei e peguei a sua mão, era como se eu fosse evitar que ele fosse embora; “embora pra onde?” me perguntava e voltava a dormir.

Uma pequena surpresa na porta

-Mor eu acho melhor a gente passar na sua casa primeiro. A gente fica lá até amanhã de tarde e ai a gente vai pra Londrina.

Estávamos combinando o nosso roteiro. O Luan teria uma pequena folga.

-Luan acho melhor a gente ir pra Londrina, primeiro.

-Por quê?

-Por que você depois desse tempo vai ter show no Pará. E o Pará é mais perto da Bahia do que do Paraná. Fica mais fácil né amor!

Ele passou uma das mãos no cabelo e parou de jogar o celular pra cima. Ele estava deitado na cama do quarto enquanto eu arrumava a minha mala.

-É melhor mesmo! Ele concluiu.

-Pronto! Onde está sua mochila?

-Pra que?

-Pra ver se está arrumada!

-Por quê?

-Por que ontem eu mandei você dar um jeito esqueceu?

Ele me olhou e sorriu.

-Luan! Poxa! Sua mãe vai reclamar e você sabe disso!

-Reclama com eu não! Ele fez um bico.

Ele levantou da cama me puxou e me beijou.

-Amor vem cá!

Ele ficou em pé na cama e me puxou. Parecíamos criança pulando na cama. Ele me abraçou e caímos deitados, ele em cima de mim.

-Quero você! Ele desfez o sorriso e ficou sério.

Eu que ainda estava rindo o olhei.

-O que? Respirei fundo.

-Quero você!

-E eu não sou sua?

-É?

-Sou sim!

Ele me beijou. Quando estávamos, quase se entregando, um ao outro, batem na porta. O Luan levantou e foi atender, eu levantei e peguei a minha mala que havia caído no chão.

-Olha amor!

Ele voltou segurando uma menina, que aparentava ter uns quatro anos, no colo.

-Oi linda! Falei com ela.

-Oi, B! Ela respondeu.

-Onde está sua mãe lindona? O Luan perguntou.

-Eu saí correndo e bati na sua porta! Ela respondeu.

Eu e o Luan rimos.

-Lú a gente precisa descer e procurar pela mãe dela que deve está preocupada. Falei pro Luan.

-Ah! Você está ai né, Larissa! A mãe dela entrou no quarto, o Luan tinha esquecido a porta aberta.

-Mãe! Ela se jogou pro colo da mãe.

-Desculpem! Ela disse que tinha que vir ver vocês! A mãe dela falou sem graça.

-Tudo bem! Eu e o Luan falamos juntos.

-Vem cá! Quer o que de presente Lari? O Luan a pegou no colo, novamente.

-Uma foto, um DVD, e um autógrafo.

-Tudo isso? Tem certeza? O Luan brincou.

Ela balançou a cabeça em um sinal de positivo. Ela parecia um anjo. Pele clara, olhos castanhos escuros e os cabelos lisos, porém cacheados nas pontas. Era loira. “Puxou ao pai” pensei, por que a mãe dela era morena, com os cabelos longos e pretos.

Enquanto o Luan dava a ela o boxe do DVD e o autógrafo, eu fiquei conversando com a mãe dela, que ainda estava sem graça com a invasão da filha.

O Luan adorava criança. Ele ficava brincando com os primos pequenos que ele tinha e adorava ver as fãs menores. Ele simplesmente amava mimar os pequenos.

-Pronto? O Luan perguntou a ela.

-B! Ela me chamou.

Eu me agachei fiquei da altura dela.

-Que foi? Perguntei.

-Você deixa o Luan casar comigo?

Eu sorri.

-Deixo! Mais por enquanto eu cuido dele pra você. Ta, certo?

-Ta, bom! Ela respondeu e me deu um abraço.

-Tchau linda!

-Tchau Lari!

Eu e o Luan estávamos nos despedindo dela.

-Tchau! Luan eu te amo! Ela acenava.

-Eu que amo! O Luan respondeu, fazendo um coração com as mãos.

-Mor eu quero uma. Me dá?

O Luan me pediu, assim que elas foram embora.

-Te dá o que? Perguntei assustada.

-Uma filha!

-E é assim simples é?

-E como é?

-Luan isso é sério e você sabe disso!

-Então casa comigo?

-Paciência amor, calma! Cheguei perto dele e o beijei.

-Anda casal! O Anderson chamou.

Fomos ao aeroporto e o Luan não parava de jogar o celular pra cima. Eu encostei minha cabeça no ombro dele e o Max já tinha ido pra Londrina.

-Luan quer ficar quieto com esse celular! Reclamei.

-É a única coisa que tem pra fazer! Ele fez um bico.

-Ler um livro ou uma revista!

-Ah! Amor, por que isso agora? Ele perguntou ainda jogando o celular pra cima.

-Antes que você...

O Luan se descuida e o celular acaba caindo na testa dele.

-Ai! Ele esfregava a testa.

-Eu estava com medo disso! Ri.

-Ai! Ta doendo! Amor, ta doendo muito! Ta vermelho? O Luan falava como se fosse um bebê.

-Amor ta vermelho, sim. Será que vai inchar? Levantei da poltrona e fui olhar direito.

O Anderson estava dormindo e nem percebeu o que havia acontecido.

-Da beijo que passa! O Luan pediu.

-Só um beijo?

-Vários!

O restante da viagem foi eu dando beijos na testa do Luan e quando pousamos em Londrina os pais dele vieram nos receber.

Fomos para a casa dos pais dele e resolvemos assistir a uns filmes, que ainda não tínhamos assistido. A Bruna ajudou a gente a escolher e ela ficou para assistir alguns, mas logo o sono veio e fomos dormir.

Corajosas fãs

Estávamos no bicuço. Eu estava editando uns vídeos do Diário com o Max dando palpite e o Luan lendo um livro.

-Vocês viram o trailer do último filme do Harry Potter? O Max perguntou.

-Não! Eu e o Luan respondemos juntos.

-Procura ai amor. O Luan pediu.

Procurei e vimos. O filme, tudo indicava, iria ser perfeito.

-Vamos tentar ir na estréia? Ele me perguntou.

-Vamos! Eu sorri.

Eu e o Luan éramos, muito, fãs da saga.

Chegamos aos estúdios do programa eu e o Luan cumprimentamos a todos e fomos para o camarim.

-Amor to bonito? Ele me perguntou.

-Ta!

Eu estava ajeitando a câmera do Diário, para fazer as cinco perguntas. Perguntas essas feitas pelas fãs através do twitter.

-Posso começar?  Perguntei a ele.

-Ainda não!

Ele foi até a porta e trancou.

-O que foi? Perguntei desconfiada.

Ele me puxou e me beijou.

-Queria isso! Ele sorriu.

Depois que fiz as perguntas fui para um canto do estúdio, assistir a gravação. No programa teriam duas meninas que disputariam um dia com o Luan e cinco mil reais. E seria difícil.

O Luan entrou e foi aquela gritaria. Ele começou com Amar não é Pecado e logo depois sentou em uma cadeira e as duas meninas foram chamadas. Elas, no inicio, responderam perguntas e logo depois tiveram que cantar trechos de músicas do Luan de um jeito diferente. A primeira teve que cantar com uma cobra em volta do pescoço e a segunda cantou em um brinquedo que a fez dar voltas.

Logo em seguida as meninas tiveram que colocar a mão em uns bichos muito nojentos. Foram ratos, larvas e grilos. Isso tudo, lendo uma declaração de amor para o Luan e respondendo perguntas que a apresentadora fazia. Depois dessa prova ela se volta para mim e pergunta:

-Bia você teve que passar por isso? Pergunta, ela, se aproximando de mim.

-Não! Ainda bem, que não! Eu sorri.

-A Bia para quem não sabe é a namorada do Luan, uma menina maravilhosa. Vocês não sabem o carinho que um tem pelo outro. Eu vi. Durante o tempo que eu passei ao lado deles. Eu espero de coração, mesmo, que esse namoro dure. Ela falou abraçada comigo.

-Brigado, Eliana. No que depender de mim vai durar um tempão. O Luan agradeceu.

Eu fiquei sem graça e sorri.

-Você faria essa prova pelo Luan? Ela perguntou.

-Acho que não! Eu tenho muito nojo desses bichos. Eu sorri.

-Não quer experimentar?

-Não, obrigada! Eu e ela demos risada.

Na última prova as meninas tiveram que montar uma “torre”, onde o que a sustentaria seriam bombons de chocolates, referente à música chocolate, que o Luan havia acabado de cantar. Elas estavam muito nervosas e tremiam muito. A menina que estava na frente, no placar, não conseguiu controlar o nervosismo e acabou perdendo. Foi uma virada muito emocionante, eu e o Luan ficamos nervosos.

A menina que ganhou, foi ao encontro do Luan. Elas não tiveram nenhum contato com ele, nos bastidores. Só se encontrariam no palco e só o abraçariam, depois das provas. E foi o que aconteceu.

O Luan cantou uma música para cada uma, mas só uma ganhou os cinco mil reais e o direto a ir ao show e a entrar no camarim.

-Bia vem cá! A apresentadora me chamou.

Eu fui até eles e fiquei ao lado dela.

-Você não se incomoda com esse assedio não menina?

-Não. Esse é o jeito que elas têm de chegar perto de demonstrar alguma forma de carinho, a ele. E eu sou fã de muitos artistas então eu as entendo. Elas, também, respeitam muito a gente, o nosso namoro e eu fico tranquila. Sorri olhando para as meninas.

-Foi um prazer, viu, ter vocês aqui, passar esse final de semana com vocês. Ela agradeceu.

-Eu que agradeço. Brigado viu gente pelo carinho de vocês, a toda produção a paciência com a gente. Valeu! O Luan agradeceu.

Nos despedimos e saímos. Eu saí de mãos dadas com as meninas e o Luan veio logo atrás. Algumas meninas, na saída dele, invadiram o palco pra tirar foto e abraçá-lo, os seguranças tiveram trabalho.

Depois de tirarmos fotos com as meninas e de gravarmos o programa. Fomos para o hotel. Na hora do show reencontramos a menina que ganhou a prova no programa. Eu a entrevistei para o Diário, logo após a saída dela do camarim.

O show foi lindo e perfeito. Ao termino do show, depois de atendermos a impressa, fomos direto para hotel dormir.

-Te amo! O Luan sussurrou em meu ouvido, no meio da noite.

Eu virei pra ele e o abracei. Ele me beijou.

-To sem sono! Ele falou.

-Percebi! Sorri.

Ele pousou a cabeça no meu ombro e eu fiquei fazendo carinho nele até ele dormir. O resto da noite foi tranquila e pareceu longa.

O crescimento

No dia seguinte acordamos cedo e fomos para o aeroporto. O Luan gravaria um programa de TV. Eu e ele estávamos brincando no aeroporto, era basicamente um pega-pega. Ele tinha me feito cócegas na van e eu estava tentando revidar.

Ele me pegou pela cintura e me levantou, fiquei suspensa no ar por instantes e ele me falava palavras carinhosas, mas não saía sua voz; eu lia os seus lábios.

-Mor me carrega? Pedi a ele depois que paramos.

-Mor to cansado, são seis horas a manhã e você me pedindo isso?

-Chato! Parei e cruzei os braços. Estava fazendo dengo pra ele me carregar.

-Não faz assim amor! Vem cá! Ele veio em minha direção e me carregou até onde o bicuço estava. Não tinha parado longe.

Às vezes eu e o Luan não tínhamos tempo nem para trocarmos olhares, muito menos, carinhos. Ele tinha que cumprir a agenda dele e eu a do Diário, ou seja, eu cumpria a minha e a dele. Como tínhamos combinado de não misturar trabalho e namoro, tinha dias que eu só ouvia ele me chamando de “Bia”, nem um apelido carinhoso ouvia. O Luan estava mais maduro e mais sério nos compromissos, estava mais profissional.

Eu acompanhava o ritmo. Levava umas broncas e uns olhares feios dele, de vez em quando. O Luan era perfeccionista. Eu amadureci muito com ele e com a rotina maluca. Tive que ficar mais séria em certas ocasiões e me policiar pra não falar nenhuma besteira ou até mesmo não falar demais. Fiquei mais profissional e com isso me afundei em estudos. Me aprimorei em sites e em vídeos, não era a toa que recebia propostas a todo instante.

-Mor estava pensando em fazer outro curso. Vi na internet, o que acha?

-Que você vai virar nerd e me levar à falência! Ele riu.

-Muito engraçado, olha, to rindo até agora! Olhei de cara feia pra ele.

-Sério amor! Cada curso que você faz o seu salário aumenta. Daqui apouco vai ganhar mais que o Anderson. Ele indicou o Anderson com a cabeça.

-Só queria que você dissesse como sempre diz, “que legal amor”.

-Eu estava brincando! Claro que eu acho ótimo você estudar, se aprimorar no que gosta de fazer. Assim você cresci e quem sabe não vira a melhor?! Já tem um monte de empresa e pessoas querendo o seu trabalho e não é por que você é minha namorada e você sabe. É por que você é muito boa no que faz!

-Você acha? Corei de vergonha. 

O Luan falava aquilo com uma cara séria e a voz dele misturava felicidade com orgulho.

-Se acho? Eu não acho, eu tenho certeza! Ele sorriu.

Um pedido atrai outro

Naquela mesma noite eu acordei, perdi o sono derrepente. Virei e olhei pra ele, parecia um anjo dormindo. Eu amava vê-lo dormir. Acariciei o rosto dele e levantei. Fui à varanda. A noite estava linda e a lua estava, praticamente, cheia, o céu estava lindo. Fiquei ali por instantes observando a noite.

Algo me chamou atenção. Um casal vinha na calçada, estavam andando de mãos dadas, e o rapaz largou a mão da menina se ajoelhou diante dela, pegou uma caixinha e concerteza a pediu em casamento. Achei aquela atitude linda.

Senti o toque leve das mãos dele me envolverem pela cintura, me dando um abraço, por trás. Ele apoiou o seu rosto em meu ombro e observou por instantes aquela cena.

-Perdeu o sono? Ele me perguntou.

-Perdi!

-Acho que ela aceitou.

Ele comentou depois de termos visto a menina beijar intensamente o rapaz.

-Você acha? Eu tenho certeza! Sorri.

-Acho que se eu parasse o trânsito eu não iria conseguir seu “sim”.

-Luan pára de ser besta! Eu já falei que meu “sim” você tem é só ter paciência.

-Você vai querer casar onde?

-Em Salvador!

-Então nossos filhos vão nascer em Campo Grande.

-Oxe! Jamais! Vão ser baianos!

-Então a gente casa em Campo Grade.

-Pronto! Combinado!

Eu comecei a ri. Ele me virou. Me olhou, nos olhos, por instantes, e me beijou. Foi um beijo devagar, leve e carinhoso. Era como se ele quisesse me dizer; “eu te amo” naquele beijo. O beijo foi longo e macio. Ele acariciava a minha nuca de um jeito que me fazia arrepiar. As leves mordidas em meus lábios, ao termino do beijo, o fizeram sorrir. Aquele sorriso que só ele tinha, o que me deixava encantada e me dava vontade de ficar observando durante muito tempo. 

-Eu te amo! Ele falou quando nossas testas se encostaram e de olhos fechados.

-Como eu posso fazer pra te dizer em palavras o que eu sinto? Por que nem todas as palavras do mundo descreveriam o que eu estou sentindo agora e o que eu sinto por você. Depois de ter dito isso a ele o abracei.

-Não solta mais! Ele brincou me apertando forte, naquele abraço.

-Não solto, não solto e não solto! Respondi.

Ele me carregou no colo me levou até a cama, pegou o violão e começou a dedilhar. O observei fazer a canção por um tempo. Não demorou muito para o sono vir novamente. Dormir com ele cantando palavras de uma canção incerta. A voz dele me acalmava. Dormir e tive certeza que ele iria me observar por um tempo antes de adormecer, novamente. 

O dia dos namorados

-Amor você já pensou no que vai me dá de presente? O Luan me perguntou.

-De presente? Estava distraída com o twitter, estava tentando responder a todos e seguir também.

Estávamos na van indo pra o bicuço.

-Ei! Reclamei com o Luan, ele tinha tomado o notebook de mim.

-Ta me ouvindo?

-To! Não sou surda! O que foi?

-Então, vai me dá o que de presente?

-Não sei! Devolve o not?

-Não sabe?

-Não Luan! Devolve!

-Sabe que dia é hoje?

-Sei! Onze, me devolve!

-Então?

-Luan devolve esse notebook antes que eu te bata!

-Tapa de amor não dói!

Dei risada.

-Dói não? Duvida?

-Não! Toma!

Eu e ele rimos.

-E você? Sabe do meu presente?

-Sei! Claro que sei!

-Me ganhou!

Ele riu.

-Eu to com seu presente acho que vai fazer uma semana.

Eu olhei pra ele assustada. Eu ainda não tinha pensado em nada.

-Você não pensou em nada né? Ele perguntou.

-Pensei sim!

-Pensou nada! Ele riu

Foi ai que me veio uma idéia.

-Pensei!

-Me deixa dormir, por favor! O Max reclamou.

Eu e o Luan nos olhamos e começamos a perturbar o Max. Não deixamos ele dormir de jeito nenhum.

-Vocês vão ver! No bicuço eu não vou deixar vocês dormirem. Ele falou.

-Vai sim! O Luan falou.

-Por que deveria?

-Por que você também vai dormir. Eu respondi. Eu e o Luan rimos.

-Isso e verdade! O Max riu.

O dia dos namorados chegou, eu ia fazer uma surpresa pro Luan, mas eu que fiquei surpresa. Ele me acordou com um super café da manhã, na cama, e um buquê de rosas vermelhas.

-Nossa! Peguei as flores.

-Gostou?

-Amei! E o que você está escondendo ai atrás? Ele estava com uma das mãos escondida.

-Nada!

-Nada?

Levantei da cama e fui atrás dele. Eu e ele brincamos de “pega-pega” no quarto, até que o Luan caiu deitado na cama e eu peguei o presente. Abri a embalagem.

-Que lindas!

Eram duas capas pra o celular, mais eram diferentes. Nelas tinha uma foto de nós dois abraçados.

-Gostou?

-Claro! Ah! Deixa eu colocar.

Tirei a capa do meu celular e do dele e coloquei as novas.

-Tem que tirar foto pra mostrar as meninas. Falei.

-Amor to com fome! Ele falou.

Eu ri. Comemos. Ele teve o cuidado de pedir tudo o que eu gostava de comer. Foi maravilhoso.

-Seu presente! Peguei uma caixa e entreguei a ele.

Ele abriu. Era um jogo que lembrava a pesca. Os peixinhos eram bloquinhos que quando pescados e montados formava uma fotografia nossa, dando um selinho.

-Que lindo amor! Gostei! Vou te pescar! Ele riu.

O Luan e eu nos divertimos. Um desafiou ao outro quem pescava primeiro as peças. Montamos o presente várias vezes e demos boas risadas, também.

Durante o dia a gente ficou no twitter. As fãs queriam saber o presente de cada um. Tiramos foto dos presentes e postamos no twitter e não demorou muito pra virar notícia.

O Luan fez o show que ele dedicou a todos os casais apaixonados. Ele se divertiu no palco. Enquanto isso, no site do diário, as fãs puderam mandar vídeos dedicados ao “namorado” delas: o Luan. O site do Diário estava bem interativo e divertido. Liberei gráfico e animações para as fãs usarem em fotos do Luan ou com o Luan. Elas se divertiram.

Eu voltei para o hotel antes do Luan, na verdade, antes do show acabar.

-Anderson, aonde está a B? O Luan perguntou depois do show, no camarim, onde a gente sempre se encontrava.

-Foi pro hotel! Disse que tinha que ir antes por causa do site. O Anderson respondeu.

-O que ela ta fazendo no Diário? Promoção?

-Não! Ela deixou o site mais dinâmico... Olha ai! O Anderson deu o notebook a ele.

Ele voltou para o hotel vendo os vídeos no site e as fotos modificadas pelas fãs, na van.

-Amor?

Ele abriu a porta, do quarto, e me chamou. Estava tudo escuro. Ele veio até a cama e ouviu o chuveiro ligado, ele abriu a porta e eu tomei um susto.

-Que susto Luan!

-Ta doida é? Deixou tudo escuro!

-Liga a luz então! Sorri.

-Ta aprontando o que? Ele perguntou desconfiado.

-Nada! Liga a luz!

Ele saiu do banheiro me olhando desconfiado. Eu coloquei um roupão e saí enxugando o cabelo.

-Mor o que é isso? Ele perguntou tinha visto um copo encima da mesa do quarto.

-Chocolate quente. Quer?

-E como!

-Hã?

-Eu quero!

Ele veio em minha direção e me deu uma juntada. Me beijou, um beijo de tirar o fôlego.

-Nossa! Deixa eu respirar! Falei brincado.

Ele ainda não tinha me soltado.

-Eu quero você! Como eu faço?

-Me quer?

-É!

Eu o beijei. E aquele beijo foi nos tirando o fôlego e deixando nossas respirações falhas. Um beijo que nos levou pra um mundo, só, nosso.

Uma proposta recusável

-Luan!?

Saí do banho e não o encontrei no quarto. Fique meio assustada, ele nunca saia sem me avisar. Mesmo assim fui me arrumar. “O Luan deve ter ido fazer algo que o Anderson ou a Dag, chamaram.” Pensei.

Fiquei editando uns vídeos para o Diário e percebi que era dia dez de junho, dia dos namorados seria dia doze e não tinha pensado em nada para o Luan. Fiquei distraída com os pensamentos longe, pensando no que dar de presente para o Luan e nem percebi a hora passar. Tinha quase uma hora e nada do Luan, voltar.

Resolvi ir ao quarto da Dag, bati na porta e nada. Fui ao quarto do Anderson e o Rober abriu. Ele parecia assustado.

-O que foi Rober? Perguntei.

-Nada, não! Eu já ia te chamar. Ele deu um sorriso disfarçado.

-O Luan ta aí?

-Ta, sim! Entra! Ele respondeu saindo da frente.

Estavam o Rober, a Dag, o Anderson, o Luan e outro homem que não sabia quem era.

-Oi! Falei com todos.

-B senta ali! O Anderson me indicou uma cadeira ao lado do Luan.

-O que foi? Perguntei assustada, com essa reunião surpresa.

-Olha isso! A Dag me passou uns papeis.

O Luan me encarou.

-Ela não vai aceitar! O Luan falou firme com o homem, que pra mim era desconhecido.

-A deixe responder Luan! Ele se virou pro Luan.

-Quem é você? Perguntei a ele.

-Sou de uma empresa multinacional e fui enviado aqui pra te fazer uma proposta, que está em suas mãos agora. (Ele indicou os papeis em minha mão) Meus chefes estam intereçados em seu trabalho, como criadora de sites e na sua habilidade com vídeos. Leia o papel, nele você irá encontrar a proposta.

Olhei dele pro papel várias vezes. Não estava acreditando que uma multinacional queria que eu trabalhasse pra ela. Abri o papel e me assustei com a proposta, era quase o triplo do que eu ganhava trabalhando no Diário.

-Nossa Senhora! Tem certeza que é isso tudo? Tem certeza que sou eu? Perguntei a ele.

-Tenho muita certeza! Ele sorriu.

-Mor você ta pensando em que? O Luan olhou pra mim assustado.

-To pensando em como seria esse dinheiro todo em minha conta! Dei risada.

-Eu dobro! O Luan levantou nervoso encarando o homem.

O Anderson olhou assustado para o Luan. Olhou como quem dizia: “Você ta maluco?”

-Luan, calma! Levantei e fiquei na frente dele.

-Bia eles te deram um prazo...

-Não quero prazo! Eu sei o que eu quero! Eu vou ficar com a equipe LS! Diga a eles que eu agradeço muito a proposta e que não iriam me levar por dinheiro e sim pela credibilidade que a marca tem. Não sei como vocês descobriram o quanto eu ganho mais não me enche os olhos dinheiro. Claro que essa proposta é absurda, mas não vou deixar as pessoas que me apoiaram e me deram forças!

-Tem certeza? Ele perguntou.

-Tenho plena certeza! Pode ir! Falei firme.

-Quando quiser estaremos disponíveis. Ele falou e saiu.

-Nossa! Nem precisa de representante desse jeito. O Anderson falou pra mim.

-Por quê? Perguntei.

-Falou firme!

Eu sorri e virei pra o Luan.

-Você ia dobra a proposta? Eu estava quase aceitando! Brinquei.

-Não brinca tá? Ia sim dobrar, não podia te deixar com eles! Ele sorriu.

-Até parece que você já não sabia a minha resposta.

-Ele sabia! A gente que não acreditou muito. A Dag falou.

-Com esse dinheiro todo eu iria pensar! O Rober falou.

-E vocês estavam aqui discutindo isso? Perguntei.

-Sim! Estávamos aqui pensando no que fazer se você aceitasse. Pensando em o que dizer aos fãs, que outra pessoa colocaríamos no seu lugar pra ajudar o Max, essas coisas. O Anderson respondeu.  

-Me senti em um leilão. Mais o produto era eu!

Todo mundo riu. O Luan estava mais aliviado, em momento algum passou pela cabeça dele que eu iria aceitar. “Ele me conhecia mesmo!” pensei. Na hora em que ele queria dobrar a proposta ele estava assustado e com medo.

-Eu não vou deixar você e nem a Família Luan Santana! Falei pra ele.

Estávamos no nosso quarto, na varanda abraçados.

-Eu sei amor! Não duvidei em nenhum momento disso, mas fiquei com medo de você aceitar. Era muito dinheiro! Ele sorriu.

-Era mesmo!

Continuamos na varanda. Eram cinco da tarde. Algumas fãs chegaram e ficamos acenando pra elas. O Luan resolveu descer para atender aos fãs e eu fui atrás com a câmera, filmei tudo.